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at the movies

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2 Coelhos

2 Coelhos
Afonso Poyart, Brasil, 2012

Geralmente descrito como um extraterrestre dentro da atual cinematografia brasileira, esta estreia de Afonso Poyart é, realmente um produto novo, mas que não escapa de tantos outros vícios já comuns ao realizador brasileiro. A estética de favela pop aqui é comprimida dentro de uma embalagem puramente pop, cheia de repicados, transições, efeitos especiais e inserts inúteis, remetendo automaticamente a Danny Boyle, Tarantino e Guy Ritchie em versão tropical. Obviamente que excesso de estilo vem acompanhado de algum problema, e é no roteiro pedestre que Poyart cambaleia. Se a historia parece seguir muito bem, obrigado, em sua trama de golpe, o final mina tudo o que havia sido construído e por sua resolução covarde frustra, como o quê. De qualquer maneira, Alessandra Negrini é sempre algo a se apreciar, e Marat Descartes, Caco Ciocler e Fernando Alves Pinto também tem presenças bem-vindas na tela. De resto, fica a vontade de que o próximo filme do Poyart seja melhor-acabado e que finalmente o cinema feito para o grande público no Brasil atinja um nível acima do televisivo.

[2.5/5]

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À Beira do Abismo

Man on a Ledge
Asger Leth, Estados Unidos, 2012

É difícil levar a sério um filme que não toma a iniciativa. A estreia de Asger Leth -filho do lendário Jorgen- é um pastiche de daytime television, filme de golpe e drama de acusação que não chega em absolutamente lugar nenhum. Fui atraído pelos sempre ótimos Jamie Bell e Elizabeth Banks, mas dei de cara em atuações tateantes, provavelmente por culpa do combo roteiro raso + direção insegura, que minam as chances de algo engrenar. A história do rapaz que transforma sua tentativa de suicídio em um golpe muito bem orquestrado não convence, as regras do jogo estão ali, na cara de quem quiser ver, e a própria Hollywood já provou que o mistério é a chave do sucesso.

[1.5/5]

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Os Descendentes

The Descendants
Alexander Payne, Estados Unidos, 2011

A morte, no filme de Alexander Payne, é um momento de descoberta antes de ser um momento de dor. A vida do Matt King de George Clooney se transforma e se revolve por conta da vida/morte da mulher, mas Payne não pretende ser fúnebre. Com um pé na comédia, a maneira como King dialoga com a esposa em coma, com as filhas perturbadas, com a família que precisa decidir sobre a venda de um grande terreno, com o homem que motivou uma traição é marcada pela cegueira. King é um homem dividido em três, que não sabe para onde está indo. Felizmente o ator foge de sua persona habitual, oque é algo bem raro, mas o roteiro não o deixa chegar muito longe. Agora, depois de algum tempo visto, me fica claro que este não é um filme de Alexander Payne, o diretor tem muito mais à oferecer, basta olhar para sua modesta e cristalina filmografia, mas não há tanto erro aqui. Os Descendentes só erra em achar que a morte é um pretexto para o absurdo. A melhor coisa do filme continua sendo Shailene Woodley, a filha mais velha, que na cena usada para ilustrar este post -um choro desesperado confortado pelas águas- mostra o porque do meu interesse nela, agora para sempre.

[3/5]

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L’Apollonide - Os Amores da Casa de Tolerância

L’Apollonide (Souvenirs de la maison close)
Bertrand Bonello, França, 2011

A coisa que mais me intrigou quando no final da sessão de L’Appolonide, foi um certo olhar sobre o ofício de atriz que Bertrand Bonello espalha por seu filme. E me intrigou mais ainda que eu tenha sido o único a enxergar esse subtexto. Talvez seja puramente pessoal, mas não consigo deixar de reparar a casa de tolerância do filme como um grande palco e as prostitutas como atrizes, antropologicamente imersas num mundo de faz de conta. Mas essas questões desaparecem para dar espaço a outras ainda mais paralisantes depois da cena final que parece, a principio, fora de sincronia com o resto do filme. Alegoria? A prostituta melancólica, arrancada dos primeiros momentos do século 20 e jogada numa Paris de 2011, assim como se arranca uma pintura da parede e se atira numa lixeira, perde seu glamour, perde sua importância e, acima de tudo, perde seu status de performer. O filme lembra o recente Turnê, de Mathieu Amalric, por esse olhar terno, ainda que clínico, sob um universo de pessoas que fazem do erotismo um modo de viver, sendo esse aqui um pouco menos coerente. Ainda assim, Bonello faz um filme belo, cheio de composições que parecem pinturas clássicas, mas que infelizmente precisam de mais recheio por trás da casca apetitosa.

[3.5/5]

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Millenium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

The Girl With The Dragon Tattoo
David Fincher, Estados Unidos, 2011

Desde que deixou a crítica, e o público, boquiabertos com os monumentos insurgentes que são Clube da Luta e Seven, David Fincher parece ter se acomodado. Parece aquele personagem literário que atingiu seu ápice na metade da vida, e daí pra lá só conseguiu ser uma cópia de si mesmo. Não que isso seja mau, já que rendeu filmes como A Rede Social e este Millenium – OHQNAAM, remake de um filme suíço, mas devidamente apropriado pelo americano. O problema todo é que estes são Finchers menos criativos, menos corajosos e muito menos interessantes. São lascivos, enganam, à primeira vista, porque a embalagem é perfeita. Rooney Mara (linda e poderosamente humana) numa vingança brutal e as composições óbvias de plongées e contras são sinais dos tempos. Fincher precisa voltar a ousar, a passar câmera por asas de xícaras e fechaduras de portas, mas também ter cuidado no que vai mostrar depois disso.

[3.5/5]

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O Artista

The Artist
Michel Hazanavicius, França, 2011

A questão é, quanto de honestidade cabe nesse filme de Michel Hazanavicius? Se na primeira vez que vi, me encantei com a tal homenagem ao cinema, que o filme parece propor, uma revisão deixou claro que esse rótulo de retorno aos tempos dourados foi dado pelo público. O diretor francês, responsável por filmes bobos de espionagem com este mesmo, estupidamente lindo, Jean Dujardin, se jogou de cabeça num estilo, para contar uma simples história de amor que tem como pano de fundo, vejam só, o mundo do fazer cinematográfico. São todos estereótipos aqui, do ator ególatra, à aspirante sonhadora, ao produtor bonachão, mas todos convencem. Porque não falam. E se não falam, não destroem os estereótipos que funcionaram tão bem tantas e tantas vezes. É complexo tratar disso, desse silêncio, dessa falta de cor, dessa pretensão. É muito mais fácil se apaixonar e amar o amor na tela.

[4/5]

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J. Edgar

J. Edgar
Clint Eastwood, Estados Unidos, 2011

O que mais me desagrada no olhar que Clint Eastwood lança para a vida de J. Edgar Hoover é uma admiração maquiada que o diretor imprime a cada diálogo, quando tenta mostrar Hoover como uma pessoa levemente perturbada, que errava buscando um bem maior. Cínico e inescrupuloso, Hoover é uma das figuras mais controversas da história americana; não se pode negar que o FBI, grande obra de sua vida, foi um avanço brutal para a força policial americana, e de todo o mundo também; mas a mente brilhante era alguém que não pensava duas vezes em esfaquear pelas costas alguém que duvidasse de sua autoridade. É impossível questionar a escolha de Eastwood, já que seu filme é sua projeção, por isso limito meu desagrado a meu olhar. Tirando esse pormenor, a queda no controle do qualidade do diretor é um problema maior. Sucedendo a bobagem que foi Invictus, e a tentativa saudável de Além da Vida; este J. Edgar me parece muito pior do que o filme sobre rúgbi, que na sua pretensão de unir esporte e política não chegava em lugar nenhum. Se ainda assim eu posso ser derrubado por alguém que é mais escolado na filmografia do diretor, eu cito o problema derradeiro: maquiagem. Se a escolha de fotografar o filme em tons dessaturados me parece, agora, acertada, o trabalho de envelhecimento nos rostos de DiCaprio, Hammer e Watts e das coisas mais patéticas já feitas em Hollywood. Por fim, talvez a única iluminação que consigo ver seja o surpreendente tato de Clint para lidar com o subtexto -que acaba por entrar em vivo contexto- da homossexualidade de Hoover. Com impecável elegância, cenas de olhares, apertos de mão e beijos na testa ganham mais poder do que o momento em que homens rolam no chão lutando contra sua natureza.

[2.5/5]

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A Separação

Jodaie Nader az Simin
Ashgar Farhadi, Irã, 2011

O cinema iraniano contemporâneo sempre foi festejado e alvo de preconceitos na mesma medida. Se o registro paciente e cheio de signos disseminado pelos cineastas iranianos foi por muito tempo a linha de frente dessa cinematografia, uma pequena revolução temática e estilística acontecia, por iniciativa dessas próprias figuras, que viram em sua arte uma maneira de duelar com a violenta ditadura do país. Assim, Abbas Kiarostami, Jafar Panahi, Bahman Ghobadi e agora Ashgar Farhadi moldaram pouco a pouco um novíssimo cinema, que tem neste último seu expoente de maior sucesso. Com uma obra de apenas dois filmes, Farhadi compensa sua pouca experiência com um vigor raramente visto no cinema de seu país e, porque não dizer, de qualquer lugar do mundo. Procurando Elly, sua estreia de três anos atrás, era um drama de costumes aparentemente simples que se transfigurava numa experiência sufocante que não devia em nada a um filme de terror. Com este A Separação, o diretor retoma um tópico que parece ser algo que o interessa bastante: a mentira. Se no primeiro filme a abordagem era mais direta e quase anedótica, aqui a mentira desempenha um papel mais duro, ainda que não envolva uma tragédia de maiores proporções. A história, que acompanha a separação do título, foca principalmente no marido, Nader, enquanto ele tenta manter uma vida normal sem a mulher dentro de casa. As escolhas feitas por ele, vão transformar A Separação numa espécie de filme de tribunal, que não se interessa pela geografia clínica do direito, mas pela sentimental. Existe omissão e mentira, mas não existem pessoas boas ou más, apenas gente que realmente acredita no que diz, sendo isso fato ou não; e a habilidade técnica de Farhadi, que acompanha essa visão parcial escondendo do publico momentos chave da história, é o que faz deste um trabalho único.

[5/5]

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Margin Call - O Dia Antes do Fim

Margin Call
J.C. Chandor, Estados Unidos, 2011

Caso você não tenha vasto conhecimento sobre o mundo do mercado de valores; o que provavelmente é o caso, assistir Margin Call vai ser uma experiência complicada, mas não menos recompensadora. O filme do estreante JC Chandor tenta explicar sua lógica complexa cheia de termos técnicos sem apelar para simplismo, e mesmo não conseguindo acompanhar e decifrar o que sejam derivativos ou índices de risco, o espectador compreende que nada de bom está se passando com aqueles personagens. Claramente baseado na crise econômica de 2008, o filme acompanha uma madrugada num desses bancos de valores, onde um analista descobre que a lógica suja da empresa foi derrubada e a falência pode ser iminente. Chandor tem uma calma pouco vista na Hollywood atual e acompanha a tensa situação dos executivos de forma quase clínica, sem apressar o passo. Ouvi um comentário por aí dizendo que o filme era uma bobagem, pois tentava colocar o empresário americano como grande vilão da economia mundial; mas afinal isto aqui é ficção ou não é?

[4/5]

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A Hora da Escuridão

The Darkest Hour
Chris Gorak, Estados Unidos, 2011

Diferente do que se esperava, o segundo filme de Chris Gorak não tem absolutamente nada da tensão e claustrofobia que fizeram de Toque de Recolher, sua estreia como diretor, um trabalho tão interessante. A Hora da Escuridão é um amontoado de momentos embaraçosos que não conseguem nem exalar um charme trash. Gorak já era conhecido por ser diretor de arte em produções renomadas como Clube da Luta e O Homem Que Não Estava Lá, e com o pequeno indie Toque de Recolher, se colocou no mapa como alguém a se prestar atenção. Depois de anos na espera, ele entrega um filme sobre alienígenas invisíveis que queimam seres humanos em busca de energia elétrica [!?!?]; e a gangue de sobreviventes que descobre uma maneira de revidar. Não poderia ser mais estúpido.

[1/5]

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